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Os 200 dias transcorridos da tragédia da Vale em Brumadinho, em Minas Gerais, completados ontem, consolidaram o reconhecimento da importância do papel do Corpo de Bombeiros após o drama que afetou várias centenas de famílias.

"Uma família está esperando um corpo há quatro, cinco meses, recebe a notícia de que aquela pessoa finalmente foi identificada, isso pode não parecer para quem é de fora uma coisa tão simbólica, mas é muito importante para a família", disse, em entrevista ao Estadão Conteúdo, o tenente Pedro Aihara, porta-voz do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais.

As palavras do tenente resumem o clima em que o trabalho desses servidores públicos aconteceu: esperança, angústia, sofrimento, tristeza e alívio. “Não é uma tarefa fácil lidar com a obrigação de informar a um familiar que seu ente querido foi encontrado morto no meio da lama de rejeitos de minérios da Vale – ou ainda que mais de seis meses depois segue desaparecido, sem previsão de ser achado”, diz a reportagem do Estadão Conteúdo.

 

Aihara acompanha as buscas pelas vítimas na lama de Brumadinho desde o início e contou quais são as principais dificuldades emocionais e técnicas enfrentadas em uma tragédia dessa magnitude. É a operação de resgate mais longa da história do Brasil. "Não é só uma operação de resgate de corpos, mas, sim, de recuperar a esperança, a dignidade, o direito à memória que essas pessoas devem ter", afirmou o porta-voz dos bombeiros. Até o momento, são 248 mortos e 22 desaparecidos.

 

Infelizmente, o respeito dos bombeiros às vítimas de Brumadinho não aconteceu por parte dos demais envolvidos nessa tragégia, especialmente os responsáveis pelo rompimento da barragem e, em consequência, pelo ressarcimento dos prejuízos causados às famílias.

 

Além do resgate dos corpos de quem perdeu a vida em meio à lama da barragem, é preciso que as instituições públicas garantam que as empresas responsáveis recuperem o mínimo necessário para que as famílias tenham de volta um pouco de sua dignidade perdida.