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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reafirmou na manhã de ontem, na ata do encontro da semana passada, que o cenário atual de inflação controlada e alto grau de ociosidade na economia continuam determinando uma política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural.

“Embora estimativas dessa taxa envolvam elevado grau de incerteza, os membros do Comitê manifestaram entendimento de que as atuais taxas de juros reais ex-ante têm efeito estimulativo sobre a economia”, acrescentou o documento.

Ainda de acordo com os integrantes do Copom – ainda nomeados no governo anterior, pois o novo comando aguarda aprovação em sabatina no Senado Federal –, o grau de estímulo adequado depende das condições da conjuntura, em particular, das expectativas de inflação, da capacidade ociosa na economia, do balanço de riscos e das projeções de inflação. "Em especial, a provisão de estímulo monetário requer ambiente com expectativas de inflação ancoradas", ressalta a ata. O Banco Central também enfatizou que a continuidade das reformas na economia é essencial para a que da taxa de juros estrutura.

Diante de tal conjuntura econômica, a pergunta é por que não se coloca no horizonte de curto e médio prazo a possibilidade de novas reduções da taxa básica de juros, a Selic, mantida em 6,5% há sete reuniões do Comitê. Junto com a queda da inflação, todos os meses o mercado vem reduzindo também a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), cada vez mais próxima de 2,5% em 2019. Os menos otimistas apostam em até menos que 2% neste ano, um situação que mereceria um empurrãozinho por meio de uma taxa de juros menos salgada. A Selic demora para influenciar os juros finais no Brasil, onde o spread elevadíssimo se impõe nas taxas cobradas por um sistema bancário altamente centralizado. Não estaria sendo insuficiente o estímulo que o BC acha adequado?

A expectativa, agora, é em relação ao que o futuro presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, fará com esse cenário.