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Com a afirmação de que não pretende submeter seu filho Eduardo ao fracasso, alusão à polêmica e inusitada indicação de seu nome para ocupar a embaixada do Brasil em Washington, nos Estados Unidos, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) indicou, ontem, que pode desistir do projeto.

 

A atitude de Bolsonaro pai não é por acaso. Ela acontece após a onda de críticas direcionadas à intenção de o presidente da República escolher seu próprio filho para um dos cargos mais importantes das relações do País com o exterior. No centro, o medo de arranhar ainda mais a já prejudicada imagem do Brasil lá fora.

 

Nos últimos dias, a resistência ficou explícita por parte daqueles que têm a palavra final na definição do embaixador: os senadores. O Senado Federal não viu com bons olhos a vontade pessoal de Bolsonaro em promover seu filho a um dos postos mais cobiçados do Itamaraty. Além de suscitar a questão do nepotismo, a decisão envolve o fato de Eduardo não ser da carreira diplomática e nem reunir algumas habilidades consideradas relevantes para quem ocupar o cargo, segundo seus críticos.

 

Parecer da consultoria técnica do Senado divulgado semana passada indicou que a nomeação do filho para embaixador seria nepotismo, o que é vedado por lei. O presidente, porém, apontou viés político nesse parecer, afirmando que as consultorias “agem de acordo com o interesse do parlamentar. Isso é coisa de redação que vocês aprenderam: eu faço uma matéria sobre Jesus Cristo, aí você pergunta ‘contra ou a favor?’, é ou não é?”, disse aos repórteres, ontem.

 

A desistência de enviar o filho a Washington será contabilizada como uma derrota de Bolsonaro, já que ele se empenhou bastante nesse projeto inusitado. Além de conseguir apoio público do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Bolsonaro e seus aliados mais próximos tentaram angariar a simpatia de lideranças políticas e parlamentares, especialmente os senadores, que aprovar a nomeação, que nem chegou a ser formalizada.

 

Melhor assim. O presidente protege seu filho de um eventual – e muito provável – fracasso.