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Se ainda é verdade que o ano começa mesmo após o Carnaval, como se costuma pensar no Brasil, os brasileiros em geral que se preparem. Ao contrário do que indicavam as expectativas, ano passado, para o primeiro ano do mandato do novo governo, o cenário não anda muito favorável e, em consequência, a agenda é muito trabalho para começar a enfrentar os problemas, porque, finalmente, o ano está começando.

Desemprego em alta, recuperação econômica em ritmo muito mais lento do que o esperado – com os mais pessimistas admitindo até a volta da recessão no segundo semestre deste ano, caso “nada seja feito para mudar o quadro atual” –, as dificuldades do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) se mostrando piores em relação às calculadas inicialmente, pelas próprias circunstâncias que elegeram o capitão da reserva para comandar o Brasil. Sem falar na sucessão de escândalos, em apenas dois meses de mandato, envolvendo membros do primeiro escalão e familiares do presidente da República.

Se deputados federais, senadores e articuladores políticos do Palácio do Planalto deixaram para depois das festas de Momo a arrancada para o debate e, posteriormente, a votação da reforma da Previdência – o único projeto concreto do atual governo para tirar a economia do crescimento acanhado de 1,1% no Produto Interno Bruto (PIB), nos últimos dois anos, os desempregados que ainda procuram emprego têm esperança de, depois do Carnaval, encontrar uma vaga aberta pelas empresas, que, também, finalmente, dariam início para valer no seu calendário.

No entanto, da mesma forma que todos os anos o País joga para o ano seguinte a melhora, porque sempre há uma pedra no caminho do presente, mais uma vez, a expectativa para um recomeço após o Carnaval pode não passar de mais uma crença do que uma possibilidade real.

De qualquer forma, hoje, Quarta-Feira de Cinzas, é uma data símbolo da mudança de vida, que recorda a passageira fragilidade da vida humana, sujeita à morte. Sobreviver, ou viver melhor, depende de todos nós.