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Os incêndios na Floresta Amazônica podem queimar as chances do Brasil de se tornar um país membro da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O aumento das queimadas, além de preocupar ambientalistas – que culpam o presidente Jair Bolsonaro pelo enfraquecimento de mecanismos de preservação da maior floresta tropical do mundo – agora também vem tirando o sono de muitos empresários brasileiros que esperam essa mudança de patamar para atrair mais investimentos.

A onda internacional gerada pelas críticas a Bolsonaro e à sua condução do processo em relação à floresta, considerada um importante esteio contra as mudanças climáticas, pode comprometer os sonhos de entrar para o seleto grupo econômico de nações.

“Essa situação é muito séria”, disse na última semana Rubens Barbosa, diretor de Comércio Exterior na Federação de Indústrias do Estado de São Paulo.

O Brasil solicitou entrada no clube de 37 nações baseado em Paris, em 2017, buscando um selo de aprovação requerido por muitos investidores institucionais internacionais. Mas essa entrada depende dos membros da OCDE concordarem de que o País está cumprindo uma série de recomendações, e muitas delas em padrões ambientais.

Com a atual falta de preocupação com o meio ambiente, a adesão à OCDE está em risco, admite Gabriel Petrus, diretor-executivo da Câmara Internacional de Comércio no Brasil. “Acreditamos que será um desafio agora”, disse Petrus que exigiu que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, tome ação imediata para reforça a proteção das florestas e conter os incêndios para melhorar a imagem do Brasil no exterior. “Se isso não acontecer, não seremos aprovados para entrar na OCDE”, disse.

Salles viaja a Paris em setembro para comparecer à reunião do Comitê de Política Ambiental da OCDE onde ele deve ser questionado sobre as políticas brasileiras para a área. Bolsonaro sempre prometeu abrir a região amazônica para mais agricultura e mineração, mas agora terá de decidir de que lado quer ficar, dos eleitores ou da comunidade internacional.