Publicado em

O governo de Jair Bolsonaro (PSL) terá na Câmara e no Senado dois aliados: o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), eleito com certa folga para presidir a Câmara, no terceiro mandato, e o senador oriundo do baixo clero, Davi Alcolumbre, do DEM do Amapá, por um placar apertado de 42 dos 81 votos, e depois de muitas confusões que contou até com decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, assegurando voto secreto, ao contrário do que os governistas queriam.

O resultado da eleição nas duas Casas do Congresso, sendo a do Senado com interferência direta do Palácio do Planalto, mais especificamente do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, também do DEM, elevou o poder do partido, com três ministérios na Esplanada, e eliminou o MDB, que por décadas teve assento cativo no comando do Legislativo federal. Outro feito foi a derrocada específica do senador Renan Calheiros (DEM-AL), que sentou na presidência do Senado (e do Congresso) por quatro mandatos, tentava um quinto e renunciou nos 45 minutos do segundo turno da votação, sábado à tarde.

Até agora é possível afirmar que o governo venceu a primeira batalha, mas não a guerra. Que tudo indica, será acirrada, inclusive por divergências dentro da base de apoio – ainda não consolidada – do governo nas duas Casas. Ao trabalhar por Alcolumbre e contra Maia, Onyx produziu um inimigo com larga experiência nos meandros do Congresso. Calheiros não medirá esforço para fazer oposição daqui para frente ao governo no Senado, onde deve contar com apoio de outros partidos contrários às reformas do Planalto. E bala não faltará: o novo presidente do Senado é investigado em dois inquéritos que correm no Supremo. Renan é réu em investigações na Lava Jato.

Onyx acabou reforçando Maia, reconduzido sem apoio do Planalto e com votos do PSL, em troca da entrega de duas importantes comissões na Câmara. Maia, inclusive, já avisou o Planalto que priorizará a votação da reforma da Previdência, mas no ritmo que permita amplo debate com a sociedade.

Para ganhar e levar, Lorenzoni e o Planalto terão de suar mais a camisa.