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O candidato de oposição Alberto Fernández e sua colega de chapa Cristina Kirchner – ex-presidente da Argentina – devem vencer a eleição de outubro próximo com 51,5% dos votos contra 34,9% de Maurício Macri, o atual presidente do país vizinho, segundo pesquisa da empresa Ricardo Rouvier & Asociados. A diferença é ainda maior que a oposição conseguiu nas primárias de agosto.

Diante da consolidação da tendência de vitória da chapa do peronista Alberto Férnandez, que é visto como candidato mais antimercado, e de Cristina Kirchner, que, durante seus dois mandatos como presidente, levou a cabo uma política de maior intervenção estatal na economia, com significativo controle de preços, é interessante pensar como ficará o mapa da liderança política na região.

Ao contrário do que ocorre atualmente, com os governos de Jair Bolsonaro (PSL) e de Maurício Macri bem alinhados com uma política econômica liberal, o que acontecerá se as pesquisas de intenção de votos se confirmarem e, em 27 de outubro, as urnas proclamarem a vitória da chapa de esquerda?

Embora o tamanho da economia brasileira seja muito superior ao da Argentina, e o nosso vizinho esteja passando por uma crise bem maior que o Brasil, a maneira como Bolsonaro vem governando, com constantes conflitos, isolamento no exterior e depreciação da imagem do País, o resultado é matemático. A liderança do Brasil na região deve se enfraquecer.

E, nesse sentido, a dupla Alberto Fernández e Cristina Kirchner devem assumir com muita vontade de ocupar o espaço, recolocando um novo discurso no cenário sulamericano, que estava abafado desde a queda dos governos populistas, substituídos pela onda liberal.

Aliás, nas últimos semanas, o presidente do Chile, Sebastián Piñera, fez alguns ensaios nessa direção, tentando elevar o status do país a principal interlocutor da região sulamericana perante os europeus, na esteira do triste episódio entre os presidentes do Brasil e da França (Emanuel Macron) sobre a devastação da Amazônia. Diante da falta de diálogo de Bolsonaro com os europeus, Piñera sinaliza que quer fortalecer o Chile nessa interlocução.