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O governo federal pode anunciar em breve os detalhes do Plano de Equilíbrio Financeiro (PEF), pelo qual o Tesouro daria aval para cerca de R$ 10 bilhões em empréstimos para os governos estaduais que apresentarem propostas para ajustar as contas, que estão desarrumadas, gerando déficit na maioria das unidades da federação.

O timing não é por acaso. Fora a crise financeira enfrentada pelos governadores, decorrente do avanço das despesas com a folha de pagamento do funcionalismo – especialmente dos aposentados e pensionistas – e queda na arrecadação resultante da economia fraca, o avanço das negociações previsto para esta semana está vinculado à busca de apoio do Palácio do Planalto para fazer andar a reforma da Previdência.

Para obter os votos necessários à aprovação do relatório do deputado Marcelo Freitas (PSL–MG) na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, adiado da semana passada para esta por medo do governo de sair derrotado, não bastam as alterações no texto original prometidas ao partidos do Centrão. Além de retirar alguns pontos – o dispositivo que reduzia a idade de 75 anos para 70 anos para aposentadoria de ministros do STF e a desistência de acabar com o FGTS para trabalhadores aposentados que voltaram ao mercado de trabalho –, o ministro da Economia, Paulo Guedes, precisa conquistar os governadores.

Para firmar o acordo entre o governo federal e os governadores, os dois lados devem se reunir novamente em Brasília nesta semanaa para estreitar as propostas do socorro às suas contas. Os governadores, em geral, têm forte influências nas bancadas estaduais, podendo influenciar votos favoráveis à reforma da Previdência do presidente Jair Bolsonaro (PSL).

No contexto dessas conversas também está a famigerada reforma tributária, que o ministro da Economia quer ressuscitar após movimento do presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) no sentido de desenterrar uma proposta que já tramita na Casa.

É o governo Bolsonaro se rendendo ao velho “toma lá dá cá” da política.