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Richard Thaler, considerado um dos pais da economia comportamental, foi anunciado ontem como o novo vencedor do Nobel de Economia. Escolha interessante da academia sueca, que decidiu laurear o professor dos EUA que prefere observar fatores psicológicos, sociais e emocionais para tentar entender as tomadas de decisão econômicas, seja no dia a dia das pessoas, na alocação de investimentos ou nas opções de gestão pública.

O professor é coautor do livro Nudge: o Empurrão para a Escolha Certa, que mostra por meio de exemplos práticos e de fácil observação como a enorme quantidade de decisões que somos forçados a tomar todos os dias praticamente impedem o uso frequente da racionalidade. Thaler divide as pessoas entre seres humanos e seres econômicos (Econs). Para usar uma analogia frequente em suas aulas, buscamos o modelo do lógico Sr. Spock (o vulcano orelhudo da série Jornada nas Estrelas), mas costumamos agir como o impulsivo Homer Simpson, o atrapalhado pai da família disfuncional do famoso desenho animado.

Constatada a imperfeição humana para tomar sempre as decisões mais racionais, Thaler e outros economistas da mesma linha defendem que é possível auxiliar nas escolhas. O nudge do título do livro é qualquer incentivo ou "empurrão" que atrai a atenção das pessoas e consegue mudar seu comportamento. Um exemplo citado na obra veio de uma experiência em um banheiro público de Amsterdã: uma imagem de uma mosca foi pintada nos mictórios e os homens viram naquilo um alvo, o que reduziu a sujeira da molhadeira em volta desses locais em 80%.

Para o professor, é possível desenhar modelos e sistemas a partir de feedbacks e estudos dos equívocos passados para uma melhor tomada de decisão. Quem atua dessa maneira é chamado no livro de "arquiteto da escolha". Por exemplo, estudando a ordem de apresentação da comida em um refeitório escolar, é possível mudar o lugar da oferta de frutas e com isso introduzir a alimentação mais saudável para os alunos. Ele chama isso de "paternalismo libertário".