Publicado em

Nesta segunda-feira, dia 25 de fevereiro, completou um mês da tragédia de Brumadinho, em Minas Gerais, que deixou um saldo de 177 mortos já identificados e 133 desaparecidos (contabilizados até sábado). Após o estouro da grande barragem de rejeitos de mineração da Vale, a insegurança ainda é a palavra de ordem em toda a região. E a população aguarda das autoridades a confirmação sobre novos riscos de rompimentos de outras barragens, além de clamar pela recuperação dos corpos dos desaparecidos.

Localizada a 57 quilômetros de Belo Horizonte, a barragem rompeu-se por volta das 12h20, de sexta-feira, dia 25 de janeiro. Sobreviventes relatam que um mar de lama tomou conta de estradas, do rio, do povoado e, sobretudo, da área da Vale, empresa responsável pelo local do acidente. Como era hora do almoço, muitos funcionários ficaram retidos no restaurante que estava justamente no caminho da lama, assim como o prédio da administração e até uma pousada.

O misto de perplexidade, tristeza e indignação se instalou no País. As dificuldades causadas pela lama e riscos de contaminação, somadas à chuva intensa, aumentaram ainda mais a tensão nas buscas por vítimas. Famílias inteiras desapareceram. Nem todos foram localizados. E o futuro de todos aqueles afetados pelo desastre ambiental ainda é incerto.

Pela estimativa do Corpo de Bombeiros de Minas, os trabalhos devem se estender por três a quatro meses após a tragédia. Os rejeitos atingiram o Rio Paraopeba, e o governo do Estado proibiu o consumo da água. Para lembrar a data, ontem (25), foram realizadas diversas manifestações em Brumadinho e em Belo Horizonte para homenagear os mortos. Há três dias, a Vale informou ao Ministério Público do Trabalho que vai manter o pagamento de dois terços dos salários aos familiares de empregados próprios e terceirizados que morreram na tragédia. Segundo a empresa, o pagamento será mantido por um ano ou até que seja fechado um acordo definitivo de indenização. Mas a dor de quem perdeu alguém e a falta de planejamento e fiscalização parece não ter prazo para acabar.