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Com o crescente número de pessoas que ganham acesso a aparelhos eletrônicos e o ciclo de vida desses produtos ficando cada vez mais estreito devido aos avanços tecnológicos, ganha cada vez mais importância o desafio ambiental de como tratar os resíduos gerados por essa nova economia. O monitor global sobre e-lixo organizado pela Universidade das Nações Unidas e divulgado neste mês apontou que em 2016 a geração de resíduos eletrônicos somou 44,7 milhões de toneladas métricas e que apenas 20% disso passou por algum processo de reciclagem.

A montanha de lixo naquele ano foi equivalente a 4,5 mil torres Eiffel e o peso foi igual ao produzido por 25 milhões de carros de passageiros. Distribuindo pela população mundial, a conta dá 6,1 quilos por pessoa, com previsões de que chegará a 6,8 quilos até o final da década. No Brasil, estima-se que foram dispensados 1,7 milhão de toneladas desses resíduos, ou 7,4 quilos por pessoa.

Como tudo hoje em dia, esse lixo traz grandes riscos e também grandes oportunidades. Os componentes presentes em telas e monitores, congeladores, lâmpadas LED, eletroeletrônicos de consumo e equipamentos de tecnologia e comunicação em geral, entre outros itens, contêm tanto agentes perigosos - como metais pesados - como também valiosos após a devida reciclagem. Calcula-se que até 60 elementos da tabela periódica podem ser encontrados em eletrônicos complexos e que muitos deles são tecnicamente recuperáveis.

Uma projeção provavelmente subestimada devido à escassez de estatísticas globais estimou em 55 bilhões de euros o valor das matérias-primas que foram literalmente jogadas no lixo. Os próprios fabricantes já começam a observar o valor econômico dos resíduos. Todo o alumínio que a Apple utiliza hoje em seus iPhones vem de produtos antigos.

Um ponto importante para o devido reuso dos equipamentos é a legislação pertinente aos resíduos eletrônicos e o estudo faz uma alerta: não adianta aprovar leis nesse sentido sem garantir sua real implementação.