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Ele voltou atrás. O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, resolveu pagar mais do que o mercado não oficial pelo dólar. O resultado foi a formação de filas de venezuelanos nas casas de câmbio. O momento é de aproveitar a taxa oficial para trocar as remessas de parentes.

O afrouxamento do controle de câmbio foi uma forma que o líder encontrou para contornar a escassez do dólar no país. Exatamente em meio ao impasse político atual. Ele enfrenta o autoproclamado presidente-interino Juan Guaidó, que tenta forçar a sua saída da presidência e sugere novas eleições.

Para fortalecer Guaidó, os EUA anunciaram sanções contra a petrolífera estatal PDVSA. Um bloqueio de US$ 7 bilhões em ativos e, ao menos, US$ 11 bilhões em exportações de petróleo devem ser perdidos. A mercadoria representa mais de 90% das vendas externas.

Maduro não viu outra saída. Quase seis anos após decidir segurar artificialmente a valorização da moeda local, pagou na semana passada 3,297 bolívares por dólar. Segundo o site DolarToday, o valor foi superior ao visto no mercado negro, que estava em torno de 2,486 bolívares.

Acabou a temporada em que turistas desfrutavam como milionários das terras venezuelanas. Mas teve início um momento em que remessas de parentes podem contribuir mais para quem não deixou o país.

No começo do seu governo, em 2013, Maduro também resolveu controlar a entrada de produtos importados no país. A medida, que tinha como propósito segurar os preços, já que grande parte dos bens de consumo era importada, gerou o caos. Itens em falta nos mercados e preços subindo até a lua.

A Assembleia Nacional controlada pela oposição divulgou, na semana passada, que a inflação da Venezuela chegou a 2.688.000% nos 12 meses encerrados em janeiro.

A manobra monetária do governo, ávido por dólares em meio à crise política, pode beneficiar a população, mesmo que indiretamente. A moeda não será mais exclusiva para jantares na Turquia, temperados com sal pelo cotovelo. Agora, contribuirá para que o Pabellón Criollo, prato típico de arroz, feijão, carne e banana, volte às mesas de mais famílias venezuelanas.