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O Estado de São Paulo tem as cidades menos violentas de todo o País, segundo estudo divulgado pelo Ipea que avaliou a evolução da criminalidade entre 2016 e 2017. No ranking dos 20 municípios menos violentos, 14 são paulistas. A menor violência nestas cidades está intimamente ligada aos indicadores de desenvolvimento humano, que são mais parecidos com os de países desenvolvidos. O levantamento apontou que, entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, Jaú é cidade menos violenta, seguida de Indaiatuba e Valinhos, todas em São Paulo. Alguns dados surpreenderam os pesquisadores. Apesar de Santa Catarina ser um dos estados mais pacíficos, a taxa de homicídios em Florianópolis aumentou 70%, de 2016 para 2017. Por outro lado, houve queda das mortes em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde há boa organização policial e a solução de homicídios é maior do que no resto do País.

Isso leva a crer que entre os maiores desafios da segurança pública no Brasil está o desenvolvimento sócio-educacional, bem como a melhor qualificação do trabalho policial, com mais inteligência na investigação, e o planejamento de ações intersetoriais, visando famílias em situação de vulnerabilidade.

O trabalho de investigação é essencial para esclarecimento dos casos e, principalmente para que a impunidade não se estabeleça como regra. Um dado alarmante foi divulgado ontem pelo Instituto Sou da Paz. Em sua mais recente pesquisa o órgão constatou que nem metade dos estados brasileiros produzem dados que indicam quantos homicídios são esclarecidos.

Das 12 unidades da federação que responderam ao estudo, indicadores de esclarecimento de homicídios dolosos variaram entre 10,3% no Pará e 73,2% no Mato Grosso do Sul. Apenas quatro estados esclareceram ao menos metade dos homicídios dolosos registrados. Os órgãos públicos estaduais precisam monitorar melhor o percentual de homicídios esclarecidos no País. Permitir que homicidas permaneçam impunes incentiva a reincidência, abala a credibilidade das instituições e alimenta a insegurança e o medo da população, segundo o Instituto Sou da Paz.