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Quando chegar ao final do mandato atual, em 2022, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) não poderá dizer que a sorte não esteve ao seu lado. Pelo menos neste primeiro ano de seu governo, que, entre tantos desacertos, criou uma grande oportunidade para acertos. E como se diz, quase por acidente.

O fechamento do acordo entre o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a União Europeia, na semana passada, durante a cúpula do G20, no Japão, pegou a todos de surpresa e ainda será necessário algum tempo para entender os motivos pelos quais algo que encontrou alta resistência por mais de vinte anos chegou a um desfecho tão rapidamente, agora.

O governo Bolsonaro, que ainda não apresentou um programa econômico para tirar o país da crise, focando todos os esforços na reforma da Previdência como remédio único para todos os males, pode ter a chance de elaborar uma política econômica levando em consideração a implementação do acordo, em dois anos.

Negociado exaustivamente pelos governos anteriores, o acordo Mercosul e União Europeia caiu no colo do presidente da República e dos ministros Paulo Guedes (Economia) e Eduardo Araujo (Relações Exteriores) – estes ausentes do encontro que selou a aliança dos dois blocos, há tanto tempo almejada.

Um programa econômico, aliás, não se faz necessário somente porque o acordo comercial deve trazer oportunidades de investimentos novos ao País, mas porque também deve resultar em impactos negativos para o setor produtivo, especialmente para a indústria, que já anda bem mal das pernas, com sérios problemas de competitividade para acompanhar a concorrência internacional.

Diante das dificuldades que o governo Bolsonaro enfrenta até agora para dar uma guinada na economia, com excesso de energia direcionada aos temas de costumes e ideológicos no topo de sua agenda, o risco é de o acordo comercial se transformar na nova panaceia do discurso oficial, como tem sido a reforma da Previdência.

E já sabemos que não há um só remédio para todos os males.