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O suicídio, na última quinta-feira (17), do ex-presidente do Peru, Alan Garcia (1985 a 1990 e 2006 a 2011), que se deu um tiro na cabeça, de tão dramático, chamou a atenção sobre o panorama atual dos governos na América Latina. A situação não pesou só para Garcia, mas para outros ex-governantes de vários países da região, em decorrência, inclusive, de envolvimento em corrupção.

No Peru, por exemplo, Pedro Pablo Kuczynski Godard, também ex-presidente, de julho de 2016 até 23 de março de 2018, quando renunciou, e ex-primeiro-ministro do Peru entre 2005 e 2006, foi parar na UTI com pressão alta, após o suicídio de Garcia. Preso, ele é acusado de receber propina da Odebrecht, assim como Garcia, que preferiu morrer a ir para a cadeia.

No Equador, o atual presidente, Lenin Moreno, ameaça colocar atrás das grades seu antecessor Rafael Corrêa, se este pisar no país. As divergências dos dois giram em torno da prisão do ativista da Wikileaks para o imperialismo, Julian Assange, após Moreno revogar a cidadania equatoriana de Assange (concedida por Correa) para que este fosse retirado da embaixada do país em Londres, onde estava asilado desde 2012 por ser perseguido pelos EUA, que pediu sua extradição.

Na Argentina, a ex-presidente Cristina Kirchner está com sua prisão decretada, enquanto o país amarga inflação acima de 50%, elevadíssimas taxas de juros, aumento da pobreza e o presidente Mauricio Macri, a seis meses da reeleição, tenta um acordo para segurar a alta dos preços.

A visibilidade dos problemas na Venezuela é maior por causa da queda-de-braço entre o governo de Nicolás Maduro e a oposição, e o aumento do boicote econômico patrocinado pelo presidente norte-americano, Donald Trump – que volta outra vez suas baterias contra Cuba.

E o Brasil, maior economia latino-americana? Sobre nós, sabemos que um ex-presidente, Lula, está preso, o presidente eleito constata que não nasceu para ser presidente, só para citar alguns fatos. Mas, enfim, todas as instituições parecem estar funcionando.