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Compromisso com a responsabilidade fiscal, retomada das reformas estruturais, controle sobre os gastos discricionários, equidade previdenciária, simplificação tributária, contenção da massa salarial pública, redução de custos na intermediação financeira, combate à corrupção e à lavagem de dinheiro como caminho para a redução das desigualdades. Quase todas essas recomendações feitas para o Brasil pelo Fundo Monetário Internacional têm em comum o fato de serem exequíveis e, ao mesmo tempo, estarem sob risco no Congresso Nacional.

Na madrugada da quarta-feira, deputados e senadores aprovaram o projeto da LDO para 2019 com algumas bombas de impacto retardado, como a retirada da proibição de reajuste salarial para o funcionalismo e a possibilidade de criação de cargos no serviço público. São armadilhas para o próximo governo, que pode estar sujeito a pressões para elevar seu déficit antes mesmo de começar a impor sua agenda prometida na eleição. Para completar, os parlamentares aprovaram medidas nos últimos dias que vão gerar um impacto de R$ 100 bilhões para os cofres públicos – segundo cálculo do jornal O Estado de S. Paulo.

Isso em meio a um ambiente político que fez o governo desistir da reforma da Previdência, adiar privatizações e abrandar cortes de benefícios tributários. Sem contar que já se fala a sério em dinamitar o teto de gastos aprovado a duras penas no ano passado.

Mesmo se contar com as más notícias fiscais vindas de Brasília, o FMI divulgou projeções alarmantes anteontem. O resultado primário deve permanecer no campo negativo pelo menos até 2022 e a dívida bruta em relação ao PIB vai ultrapassar os 95% em menos de cinco anos. O crescimento do produto interno bruto não deve superar os 2,5% nos anos vindouros e a taxa de investimentos não vai alcançar os pretendidos 20% no curto prazo.

O tempo que se perde para corrigir erros econômicos originados da miopia política dificilmente é recuperado. Os partidos precisam enxergar o Brasil para além dos ciclos eleitorais de quatro anos.