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A oposição venezuelana errou o cálculo sobre o desfecho esperado para a tentativa de levar ajuda humanitária à Venezuela. O impedimento da entrada, ao país vizinho, de alimentos e remédios enviados pelos Estados Unidos e Brasil, tanto pela fronteira da Colômbia como pela brasileira, deixou claro que a saída de Nicolas Maduro da presidência vai demorar.

A avaliação já é corrente entre quem quer a saída de Maduro. Até mesmo a diretora do programa latino-americano do Wilson Center (EUA), Cynthia Arnson (EUA), admite que o momento é de “frustração” e “confusão” por parte da oposição, que terá de repensar sua estratégia para afastar Maduro do poder.

Além do resultado dos fatos na fronteira tensa no último sábado (23), a demora para uma solução na Venezuela também se deve à posição dominante no Grupo de Lima, composto de 14 países das Américas e voltado à questão da crise.

Reunidos em Bogotá anteontem (25), eles decidiram pelo caminho do bom senso: não à intervenção militar, em contraposição à posição dos Estados Unidos, que não descartam nenhuma opção para tirar Maduro do cargo e colocar no comando do País o líder da oposição, deputado nacional Juan Guaidó.

O governo brasileiro, inclusive, reiterou que “a transição democrática deve ser conduzida pacificamente pelos venezuelanos, com apoio de meios políticos e diplomáticos e sem o uso da força”. O vice-presidente Hamilton Mourão, presente ao encontro, afirmou que a “opção militar nunca foi uma opção para o Brasil, que sempre apoiou soluções pacíficas para qualquer problema nos vizinhos”.

Até agora, a evidência é de que a serenidade prevalece nos latino-americanos. Um alinhamento mais próximo do governo brasileiro com Donald Trump, na questão da crise da Venezuela, seria mais um foco de desgaste para Jair Bolsonaro (PSL), que já lida com muitos problemas neste início de mandato.

Especialmente porque ficaria muito explícito se o governo brasileiro fosse “usado” pelo governo Trump.

Muita calma nesta hora é a melhor saída para todos.