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Os ataques ao presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), por parte do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e seus três filhos, ajudados pelas manifestações de rua pró-governo no último domingo (26), reforçam uma lenda urbana dentro do Congresso, a de que Bolsonaro apenas aguardaria a aprovação da reforma da Previdência para jogar todo o seu peso político e policial contra os deputados.

E, com isso, o cenário só fica mais belicoso na Praça dos Três Poderes, em Brasília. Na avaliação de Thomas Timothy Traumann, jornalista e consultor político-econômico independente, a ideia de um acordo Bolsonaro-Moro-Lava Jato para investir contra os políticos se tornou um fator relevante na estratégia dos deputados para os próximos três anos.

“É ingenuidade supor que um presidente possa incentivar manifestantes que chamam o presidente da Câmara de ‘bandido’ e nada aconteça. Rodrigo Maia não tem capacidade de juntar uma Kombi de manifestantes na avenida Atlântica, mas pode criar muitos problemas, como por exemplo, ajudar uma CPI no Senado para acossar o senador Flávio Bolsonaro”, comenta Traumann.

Os mesmos eleitores que saíram às ruas no último domingo para apoiar o governo podem fazer o mesmo contra a atual administração, caso a economia continue andando para trás, o desemprego aumenta e a percepção sobre o horizonte de curto e médio prazos piore. A estratégia de governar promovendo o permanente confronto, como tem feito Bolsonaro nesses quase cinco meses de mandato, é arriscada.

O que se sabe é que o presidente da República tem cerca de 60 deputados fiéis dentre 513. Pouco para um presidente eleito por um partido pouco expressivo, não somente em número, mas também em experiência no Legislativo. Além disso, eleger o Centrão como o novo PT e o presidente da Câmara Rodrigo Maia como o novo Lula, atribuindo aos dois a responsabilidade pelo marasmo do governo, pode ser um tiro que sairá pela culatra. Mesmo porque a “nova política” não deu as caras em Brasília.