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Em encontro com líderes empresariais da capital paulista na segunda-feira ( 9), o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, criticou o fato de muitas pessoas dizerem, apenas da boca para fora, que a Amazônia é um patrimônio nacional e que precisa ser conservada. “Ter esse discurso é bem mais fácil que colocar a bioeconomia para andar e valorizar a biodiversidade.”

Salles tem demonstrado sua preocupação com a falta de participação da iniciativa privada nas soluções para a preservação da floresta. Nas entrevistas recentes que concedeu à imprensa, declarou que o setor privado precisa participar da bioeconomia da floresta e que as empresas precisam dizer por que não investem na Amazônia.

No mês passado, o ministro anunciou que sua pasta pretende criar uma força-tarefa pró-Amazônia para olhar a questão do desmatamento com um todo. Além da atuação governamental, a força-tarefa deve contar com entidades ligadas à preservação da Amazônia e de empresas e associações com interesses econômicos na região, como madeireiras e mineradoras. A ideia é que as primeiras medidas já sejam adotadas a partir deste mês.

Estar a favor do desenvolvimento da região, segundo tem afirmado o ministro, é defender a segurança jurídica, trabalhar pela regularização fundiária e fazer o zoneamento econômico ecológico para, finalmente, viabilizar a bioeconomia.

No evento, Salles lembrou várias vezes que nada foi feito pela Amazônia em governos anteriores ao do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e se mostrou preocupado com os mais de 20 milhões de brasileiros que moram na região. “É preciso distribuir riquezas para um povo muito pobre, que vive no pior IDH [Índice de Desenvolvimento Humano] do Brasil.”

Sabemos que o Brasil está na vanguarda quando o assunto é bioeconomia. Sabemos também que o País tem condições de competir com os principais players globais. Resta saber como o atual governo conduzirá todo o processo para que, de fato, haja engajamento suficiente para não deixarmos passar esse bonde.