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A aproximação entre as universidades e a indústria é um tema antigo e recorrente. Daquelas pautas que nunca saem da berlinda, justamente porque os avanços são insuficientes, embora até aconteçam. Atualmente, essa necessidade de um maior diálogo entre o meio acadêmico e as empresas brasileiras está enfatizada pela relevância das inovações tecnológicas, em um mundo que se transforma em uma velocidade acelerada.

Países que contam com pesquisa pública forte e com habilidade para inovar a partir de seus resultados apresentam maiores ganhos de produtividade, são mais competitivos e têm maior facilidade para responder aos desafios socioeconômicos, ressalta o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), em recente estudo sobre o tema.

“Inúmeros países adotam políticas abrangentes para fortalecer os elos e impulsionar a troca de conhecimento entre ciência e indústria, como mostra o recém-divulgado relatório da Organização de Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OCDE), University-Industry Collaboration: Evidence and Policy Option”, sublinha a Carta IEDI.

A partir das evidências coletadas de 2017 a 2018 pelo Grupo de Trabalho sobre Política Tecnológica e de Inovação, o relatório da OCDE oferece visão abrangente de instrumentos de política utilizados em seus países membros e também discute as principais tendências recentes, com destaque para a criação de spin-offs a partir de pesquisas acadêmicas. São instrumentos financeiros, regulatórios e ditos “suaves” para estimular a transferência de conhecimento das universidades e dos institutos públicos de pesquisa às empresas.

Comparações de um país emergente como o Brasil com os desenvolvidos, que fazem parte da OCDE, partem de realidades muito diferente, mas é fato que estímulos à inovação precisam fazer parte de contínuas políticas públicas, o que, infelizmente, não ocorre no Brasil.

As mudanças decorrentes das próprias inovações tecnológicas deveriam incentivar governos e lideranças empresariais a olhar mais para o potencial da aproximação entre essas duas pontas do sistema produtivo.