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Milícias – fornecedoras de “serviços” nas comunidades das periferias das grandes cidades, incluída a segurança da população –, crime organizado – que protege familiares de presos, fornecem cestas básicas e até renda mensal ao titulares e família de quem se aliar às facções –, e, agora, os “guardiões da floresta” que combatem a extração ilegal de madeira na Amazônia.

O Estado paralelo no Brasil cresce. Infelizmente, porque deveria acontecer o contrário: o Estado brasileiro combater toda forma de violência, inclusive a praticada por grupos que se aproveitam da fragilidade dos cidadãos para tirar vantagem, vendendo mercadorias e serviços obtidos por meios ilegais ou, no mínimo, irregulares, não raramente envolvidos com algum tipo de atividade criminal.

De exemplos desse tipo de Estado paralelo estamos cheios. O mais recente deles vitimou mais de dez moradores do subúrbio do Rio de Janeiro, em consequência do desabamento de dois prédios construídos irregulamente pelas milícias cariocas. Elas vendem tv a cabo, gás, energia elétrica, telecomunicações, carga roubada, enfim, tudo o que for possível para ganhar dinheiro dos moradores, que ficam sem opção justamente porque o Estado verdadeiro não chega até eles.

A ausência da polícia e do Judiciário, que estimula o surgimento da “segurança privada” cobrada pelas milícias, no entanto, gerou outro tipo de Estado paralelo. No Maranhão, cerca de 120 indígenas Guajajara que se autodenominam “guardiões da floresta” combatem a extração ilegal de madeira na Amazônia, onde a destruição da floresta atingiu em 2018 o nível mais alto em uma década, segundo dados do governo.

“Estamos defendendo a lei, que deveria estar sendo cumprida”, disse o cacique Olímpio Santos Guajajara, líder da patrulha da floresta.

E isso não está acontecendo por acaso. O Brasil liderou o ranking mundial de desmatamento de florestas tropicais em 2018, de acordo com o grupo de monitoramento independente Global Forest Watch.

Estado mínimo, como prega o governo liberal na economia, tem seu preço.