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Enquanto o mundo todo aumenta a proteção comercial, fechando suas fronteiras por meio de vários instrumentos, como a ampliação nas tarifas de importação executada pelo governo dos Estados Unidos em relação aos produtos chineses, o Brasil anda na direção contrária.

Na sexta-feira (10), o ministro da Economia, Paulo Guedes, enfatizando a veia liberal do atual governo, anunciou que pretende reduzir 10 pontos porcentuais o Imposto de Importação (II) de forma generalizada, nos próximos quatro anos.

O anúncio da medida ocorre em um momento em que os indicadores mostram claramente o enfraquecimento da indústria brasileira e seu peso no Produto Interno Bruto (PIB), com vários anos de dificuldade de reação consistente. Os motivos disso são diversos, e vão desde a falta de uma política industrial para o setor, passam pelas transformações da economia – com maior força para os serviços – e avanço da tecnologia, e vão até fatores bem locais, como os juros ainda altos para financiar, por exemplo, a renovação do parque de máquinas e equipamentos.

Como observa o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), enquanto no Brasil certos analistas se apressam para decretar a falência de toda e qualquer política industrial, valendo-se de alguns erros e equívocos do passado, o debate em torno deste tema no restante do mundo não só não está encerrado, como vem ganhando projeção.

Isso devido ao contexto em que novas estratégias industriais estão sendo adotadas pelas principais potências econômicas. Recente estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI), inclusive, retoma a discussão do papel da política industrial na promoção do crescimento e do desenvolvimento econômico e social dos países. Por um tempo repudiada por alguns acadêmicos e formuladores de política econômica, a política industrial está de novo na ordem do dia.

A ênfase liberal do governo Bolsonaro (PSL) pode estimular novamente o debate sobre a situação da indústria e seu papel na retomada do crescimento.