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Nesses quase quatro meses do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), fica cada vez mais evidente que um dos “ralos” de energia da atual administração é a queda de braço entre os militares, com perfil pragmático, em choque permanente com o viés ideológico do Palácio do Planalto.

Se fosse uma mera disputa de alas por espaço em uma administração federal, vá lá, mas as diferenças vêm gerando consequências relevantes não só para o Poder Executivo, mas, sobretudo, para o País, que precisa sair, urgente, do marasmo em que se encontra a economia nos últimos anos.

Reportagem minuciosa realizada pela agência de notícias Reuters constatou que a divisão do governo em duas trincheiras “tem assustado aliados, paralisado o governo e irritado os generais”, a ponto de apagar, para essas fontes, a relevância da aprovação da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, na semana passada.

“Não é apenas uma sensação, é um fato. Estamos perdendo tempo, a economia parada, o desemprego aumentando e a gente discutindo besteira”, disse à Reuters uma fonte com trânsito entre os generais palacianos.

No centro da discórdia, as dificuldades causadas pelo excesso de ideologia que cerca o núcleo civil do presidente, ainda de acordo com a Reuters. Influenciado pelos filhos, Bolsonaro nomeou assessores diretos ligados a Olavo de Carvalho, que vêm se chocando com os militares da reserva em cargos estratégicos.

No bojo desse ringue, nas últimas semanas cresceram os ataques do filho do presidente ao vice-presidente Hamilton Mourão, da ala militar, em uma sucessão de cenas das quais os eleitores de Bolsonaro e os cidadãos brasileiros deveriam ser poupados.

Um governo que não consegue resolver em casa os problemas internos, passa uma ideia de pouco comando sobre seus subordinados, como um pai ou uma mãe que não domam os filhos. O que está em jogo em um governo extrapola em muito o poder de uma família, mas o fato é que o governo não está transmitindo uma mensagem positiva.