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Já é consenso que a economia brasileira vai crescer menos que o esperado tanto em 2018 como e 2019 e que o novo governo que emergir das urnas em outubro vai ter bastante dificuldade em conciliar suas promessas de campanha com a realidade fiscal do país. Além da histórica resistência em cortar gastos não discricionários, há sobre o enfraquecido governo Temer uma forte pressão por reajustes do funcionalismo e agora uma ameaça por parte de alguns candidatos de reversão do teto de gastos aprovado em 2016.

São tantos os componentes da incerteza política e econômica que não houve surpresa na revisão de crescimento do país feita pelo FMI, que agora crê numa evolução de 1,8% até o final do ano, meio ponto abaixo da previsão feita em abril. No relatório Focus, uma pesquisa que o BC faz com as instituições financeiras, a mediana já está em 1,5%. O BBVA Research também decidiu reduzir suas projeções, de 2,1% para 1,6% em 2018 e de 3,0% para 2,4% em 2019.

O BBVA lista fatores externos como entraves para um maior crescimento do produto interno brasileiro, como o risco de agravamento da guerra comercial global e também o impacto que a alta do petróleo poderá ter nos índices de inflação. Mas o banco ilustra que a maior parte dos problemas tem residência fixa dentro de nossas fronteiras.

Por isso será importante observar e estudar as propostas macroeconômicas dos presidenciáveis. Os técnicos do BBVA acreditam que choques pelo lado da receita, como elevação de impostos ou um rigoroso programa de desestatização podem acarretar um custo político elevado. Além disso, a primeira hipótese prejudicaria a competitividade da indústria e a segunda teria impacto fiscal limitado.

Pior que isso seria a adoção de medidas que aumentassem a inflação para facilitar o pagamento da dívida pública não indexada, com nefastos impactos para o futuro. Sobra o choque no custo da máquina, mas sem a coragem de mexer na Previdência e no engessamento do orçamento público o resultado será no mínimo tímido.