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A falta de hábito de leitura dos brasileiros conjugada às transformações tecnológicas que expandem cada dia mais novos serviços de distribuição de informações deu um tombo e tanto no mercado editorial do País, nos últimos anos. Redes sociais, streaming e acesso ao celular são concorrentes diretos e poderosos dos livros, especialmente nas gerações mais jovens.

Vários levantamentos feitos pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), entre 2006 e 2018, fazem uma triste constatação: o faturamento do setor editorial brasileiro diminuiu 25% no período de doze anos. O cálculo contabiliza as vendas para o mercado em geral e também para os governos (livros didáticos).

O estudo, contratado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), mostra que houve crescimento do número de livros vendidos entre 2006 e 2014, mas após o início da recessão econômica, observa-se uma queda acentuada da venda e uma piora dos resultados.

Em 2006, o setor faturou R$ 6,788 bilhões. Em 2018, o valor foi de R$ 5,119 bilhões. Nesse período, o preço médio dos livros diminuiu 34%. A queda do preço impactou na redução do faturamento do setor.

O setor fez uma aposta em redução do preço do livro e ganho de escala em vendas, mas isso não aconteceu, ressaltam as entidades. O aumento de exemplares vendidos não é suficiente para segurar o setor, aponta a economista Mariana Bueno, responsável pela pesquisa. “Mesmo quando a economia estava crescendo, nos anos de 2009 e 2010, a venda de livros não tirou proveito”, analisa.

Diante desse quadro, não se tem conhecimento de nenhum outro país que teve queda tão expressiva no setor.

Na avaliação da Fipe, o subsetor de obras gerais chegou a perder 45% do faturamento no mercado, excluindo as compras governamentais. O segundo pior desempenho foi de livros científicos, técnicos e profissionais (menos 36%); seguido dos didáticos (descida de 23%). O subsetor de livros religiosos teve a menor redução no faturamento ( menos 4%).