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Substantivo masculino e sinônimo de mania, perversão, pecado, depravação, defeito, incorreção, hábito. É assim que o Dicionário Aurélio de Língua Portuguesa define o vício.

Mas não é só, é “dependência física ou psicológica que faz alguém buscar o consumo excessivo de algo, de uma substância, geralmente alcoólica ou entorpecente, como o vício de fumar. Por extensão, costume de fazer sempre a mesma coisa. Incorreção observada em algo ou alguém; defeito: vício de formação. Toda alteração que prejudica o funcionamento de alguma coisa. Tendência para provocar o mal ou ter ações contrárias à moral; depravação”.

Recorrer ao Dicionário Aurélio nos ajuda a entender um pouco do que o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (MDB), quis dizer em seu depoimento na Justiça Federal, anteontem (26). Após admitir que se beneficiou diretamente do “propinoduto” montado durante seu governo, o que até agora ele negava, declarou que “apego a poder, dinheiro é um vício”. E, semelhante a um pecador no confessionário que quer se redimir, pediu desculpas ao juiz Marcelo Bretas por ter mentido antes. “Dói muito”, emendou, sobre ter de revelar o esquema de "toma lá dá cá" instituído no governo.

Apesar da sucessão de escândalos no Brasil nos últimos anos, as confissões de Cabral são um espanto, não só pelo conteúdo – empresários dão dinheiro a campanhas em troca de vantagens; US$ 100 milhões nas contas dos irmãos Chebbar no exterior eram dele; ex-governador Pezão recebeu propina e mesadas e o ex-prefeito Eduardo Paes recebeu dinheiro de empresários ligados a ele para a campanha, mas que não fazia parte da organização. Mas, também, pelas circunstâncias: por que um condenado a 198 anos de prisão e preso desde novembro de 2016 na Operação Lava Jato, decide contar à Justiça informações que podem piorar sua situação?

Estratégia para fazer uma delação premiada e tentar reduzir a pena?

O que sabemos, por enquanto, é que Cabral trocou de advogado e que mostrou saber muito. Mas, não dá para dizer que isso é um vício.