Publicado em

-

Os dados da Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA), divulgados na semana passada pelo Ministério da Educação, não deixam margem para dúvidas sobre a (má) qualidade do ensino fundamental. No ano passado, 22,2% dos alunos da 3ª série em todo o País conseguiam ler apenas palavras simples, com as chamadas sílabas canônicas. Outros 34% não conseguiam estabelecer uma relação de causa e consequência em textos exclusivamente verbais, como trechos de literatura infantil. São os chamados níveis 1 e 2 da escala.

O próprio ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, comentou em entrevista que esses resultados, aliados aos de matemática e de nível de escrita, também fracos, são inaceitáveis em termos sociais, mas ponderou que também é necessário observar exemplos regionais onde foram observadas melhorias significativas nos últimos anos.

No plano estadual, impossível não citar o caso do Ceará, único estado nordestino a figurar entre os 10 melhores nas três habilidades do ensino público fundamental. Desde os anos 90, os governantes cearenses demonstraram preocupação forte com a educação, avançando primeiro na universalização do acesso e depois na qualidade do ensino.

O Programa Alfabetização na Idade Certa (Paic) foi implantado no estado em 2007 e acabou se tornando referência para o Pacto Nacional na área. Princípios de gestão levados à sala de aula, instituição de meritocracia para professores e diretores, combate à evasão, investimento em qualificação profissional, a adoção de uma grade padronizada fazem parte da receita do Ceará.

Do Acre, foi listado o avanço do município de Rodrigues Alves. Penúltima colocada no ranking estadual em 2011, a cidade investiu na valorização dos professores e coordenadores, no acompanhamento pedagógico, na aproximação da escola com as famílias e em programas culturais e esportivos. O resultado foi um salto para o terceiro lugar entre as cidades acreanas na ANA de 2014. Não dá ainda para comemorar o índice de 25,83% dos alunos classificados no nível 1, mas é bom observar que ele estava em 44,2% em 2013.