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Enquanto o País acumula má notícias no que diz respeito ao emprego, no conjunto das empresas, os pequenos negócios voltaram a responder pela geração de novas vagas. De janeiro a abril, esse segmento empresarial abriu quase 300 mil empregos, ao mesmo tempo em que as médias e grandes companhias criaram apenas 20,3 mil novas vagas, de acordo com informações divulgadas ontem pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresa (Sebrae), com base em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia.

Mesmo assim, o saldo de postos de trabalho gerados pelas micro e pequenas empresas (MPE), no primeiro quadrimestre deste ano, ainda está 14,4% abaixo do saldo alcançado por elas no mesmo período de 2018, que também não foi um período bom para o trabalho.

Segundo o Sebrae, os pequenos negócios criaram, somente no mês passado, 93,7 mil postos de trabalho formais. O saldo foi quase três vezes maior que o registrado pelas médias e grandes empresas e representou 72,3% do total de empregos registrados no país no mesmo período, que foi de 129,6 mil.

Mais do que à recuperação da economia, os novos postos de trabalho se devem ao espírito empreendedor dos brasileiros, especialmente ao empreendedorismo por necessidade de quem perde o emprego e precisa ir à luta por uma fonte de renda.

Infelizmente, esse segmento empresarial continua à margem do acesso ao crédito, com dificuldade para obter recursos no mercado, que continuam com juros altos, exigências de garantias impossíveis de serem atendidas, entre outros entraves e burocracias.

O governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) pouco demonstrou, pelo menos até agora, o que pretende fazer para ajudar as pequenas e microempresas, cuja função, não só econômica, mas também social, ganha ainda mais relevância no contexto atual de economia estaganada e à beira da recessão e desemprego em alta.

Medidas de desburocratização, anunciadas pelo governo semanas atrás, são importantes, mas insuficientes para o setor.