Publicado em

Existem ao menos duas maneiras de entender a importância do chamado “blocão” – grupo de partidos que se definem como de centro - na disputa eleitoral deste ano. No curto prazo, as bancadas do DEM, PP, SD e PRB são sem dúvida um ativo importante para aliados que desejam conquistar o Palácio do Planalto em outubro, uma vez que trazem nada desprezíveis 98 segundos de propaganda eleitoral no radio e TV. Mas há também o desejo de manter o controle da Câmara na próxima legislatura, que é quase o mesmo que controlar a agenda do próximo presidente, seja ele quem for e defenda as ideias que escolher.

Como a história recente mostra, blocos de parlamentares são forças que não podem ser desprezadas. O “Centrão” pautou a fase final da Constituinte de 1988, a base aliada de FHC ditou o ritmo de reformas econômicas e estruturais nos anos 90, o núcleo duro no entorno de Eduardo Cunha deu o impulso que faltava para o impeachment de Dilma Rousseff e Rodrigo Maia manobrou com maestria para que duas denúncias contra Michel Temer feitas pela PGR não prosperassem na Casa.

Rodrigo Maia, aliás, vai colocar na mesa de negociações para o apoio do “blocão” nada menos que a proposta de permanecer na Presidência da Câmara no ano que vem. Para usar uma expressão da moda, ele sabe que o cargo foi “empoderado” nos últimos mandatos, a ponto de manter um status de primeiro-ministro em algumas situações. Foi o próprio Temer quem disse há um ano em viagem à Rússia que fazia um “presidencialismo semiparlamentarista”, elogiando a evolução da Câmara de mero apêndice do Executivo para uma atuação mais parceira.

Claro que essa parceria tem períodos de turbulência e de rearranjo. Nesta semana, Maia ajudou a jogar para as calendas a apreciação do projeto que poderia viabilizar a venda da Eletrobrás e não tem feito muita força para deter o voraz apetite dos deputados para criar novos gastos e reduzir a arrecadação federal. Não se sabe se presidente que assumir em 2019 será um fiscalista ou populista. O certo é que vai ter de barganhar com o “blocão”.