Publicado em

Em meio a polêmicas, fofocas e desgastes a popularidade do presidente Jair Bolsonaro, em apenas três meses de mandato, despencou, passando de 49% em janeiro para 34% em março. Ou seja, só três em cada dez brasileiros avaliam o presidente de forma positiva (ótima ou boa). O dado faz parte de levantamento do IBOPE Inteligência feito entre os dias 16 e 19 de março. A mesma parcela (34%) considera a gestão dele como regular e 24%, acham ruim ou péssima. Aqueles que não sabem ou não responderam somam 8%.

A queda, de 15 pontos percentuais entre janeiro e março, evidencia algo já detectado: o governo quer se aproximar da população que o elegeu, mas não consegue fazer isso sem ‘quebrar alguns ovos’ no caminho.

A relação seletiva com a imprensa, as decisões tomadas e revistas, o clima de tensão dentro da cúpula de governo são alguns dos fatores que sustentam esse dado: só três a cada 10 brasileiros avaliam a atual gestão de forma positiva, segundo Ibope. Esse tombo na popularidade evidencia também que o período de lua de mel com a população, momento em que o presidente tende a manter positiva sua imagem junto ao eleitorado, vai acabar mais cedo.

Durante a campanha, o rival Ciro Gomes (PDT) afirmou que todo presidente recém-eleito tem seis meses de “poder imperial” período em que tudo que sugere ao Congresso tende a ser aprovado. Bolsonaro, no entanto, está patinando na hora de colher os frutos dos 49,3 milhões de votos. Ao dar prioridade à agenda econômica, essencial para reestruturação do País, o presidente fragiliza sua imagem junto à parcela da população que não apoia a nova Previdência, e o futuro pode ser mais desafiador, caso o governo encoste em dois vespeiros: o atraso da pauta de costumes, defendida pela bancada evangélica e de segurança pública, e as rusgas com o agronegócio. Outro dado chama atenção: o presidente tem o pior índice de aprovação para primeiro mandato dos presidentes eleitos após a redemocratização. Na largada, FHC, Lula e Dilma tinham taxas maiores que os 34% de Bolsonaro, o que indica que o caminho não deve ser muito fácil.