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O papa Francisco rezou, no último domingo (7), pelas vítimas de um bombardeio em um centro de imigrantes na Líbia na semana passada. O pontífice também clamou por ações para criar corredores humanitários que evitem esse tipo de tragédia, que já levou à morte ou desaparecimento 1.600 crianças migrantes, entre 2014 e 2018, quando tentavam chegar sozinhas ou com as suas famílias a um lugar seguro, segundo a Organização Internacional das Migrações (OIM).

Essas crianças fazem parte dos 32 mil migrantes mortos ou desaparecidos no mesmo período, embora a OIM alerte que os dados estejam incompletos e que o número real de vítimas seja certamente maior, em particular entre menores, cujos casos são menos relatados do que os de adultos.

No último dia 2, um ataque aéreo acertou um centro de detenção que recebe majoritariamente imigrantes africanos em Tripoli, matando dezenas e ferindo muitas pessoas. “A comunidade internacional não pode tolerar atos graves como esse”, disse Papa, em sua oração semanal Angelus, em Roma. Francisco também apelou por orações para os que foram capturados em ataques recentes no Afeganistão, Mali, Burkina Faso e Niger.

A manifestação do Papa faz todo sentido. Cresce a cada dia a dimensão da tragédia decorrente da migração dos povos subdesenvolvidos e que vivem em condições subumanas em busca de lugares onde possam viver um pouco melhor. E, principalmente, oferecer alguma oportunidade de futuro para seus filhos que nem sempre conseguem atravessar as fronteiras físicas entre mundos bem diferentes – de quem merece viver e de quem, como o pai e a filha encontrados mortos na fronteira dos Estados Unidos com o México, quando tentavam entrar no território norte-americano.

O mais triste disso tudo é que são ínfimas as esperanças de uma solução favorável ao lado mais fraco dessa dura realidade, pelo menos no curto prazo. Apesar do apelo do Papa e dos dados divulgados pelas duas agências das Nações Unidas (ONU), a realidade global deve continuar pouco acolhedora aos imigrantes. Mesmo com o apelo do Papa.