Publicado em

-

O Dia Mundial da Saúde, a ser comemorado na próxima sexta-feira, escolheu como tema para este ano "Depressão: vamos conversar". Nesses tempos sombrios de conflitos, extremismos políticos, crise econômica, decadência ética e superexposição virtual de intimidades, a escolha foi certeira. A OMS calcula que mais de 300 milhões de pessoas convivem com a doença em todo o mundo, um salto de 18% entre os anos 2005 e 2015. Ainda que parte desse incremento tenha vindo da melhora na coleta de dados, impossível não creditar à ansiedade dos novos tempos um papel relevante.

O Brasil se destaca nas estatísticas. O País está no topo do ranking de prevalência de depressão entre as nações em desenvolvimento, com uma frequência de 10% a 18% no período de doze meses. As cerca de 30 milhões de pessoas afetadas, portanto, equivalem a aproximadamente 10% de todos os afetados no mundo. Oficialmente, os casos registrados somam 11,5 milhões, ou 5,8% da população brasileira.

O custo social econômico disso é brutal. Uma pessoa com esse transtorno mental perde o interesse por atividades que os outros desfrutam normalmente, ficam incapazes de levar a cabo atividade diárias corriqueiras, mostram falta de energia, sofrem com mudanças no apetite e no sono, têm concentração reduzida e sentimentos de inutilidade, entre outros vários sintomas.

A perda anual de produtividade em todo o planeta por conta da depressão e a ansiedade é estimada em mais de US$ 1 trilhão. Esse é o custo de não se fazer nada. Um estudo publicado na revista Lancet Psychiatry no ano passado concluiu que um investimento de US$ 147 bilhões em 36 países resultaria num retorno de até US$ 250 bilhões em quinze anos.

Em artigo recente, a especialista Denise Razzouk defendeu que os gstos com o tratamento da depressão no Brasil são inferiores aos custos sociais e econômicos gerados pela doença. Para isso, é preciso aperfeiçoar a disponibilidade de antidepressivos pelo SUS, treinar profissionais para o reconhecimento precoce da doença e monitorar os desfechos dos casos.