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Hoje completa o primeiro mês do governo Jair Bolsonaro (PSL). O que aconteceu nesses trinta e um dias depois da posse do presidente, seus ministros e assessores diretos, além do comando de áreas da administração direta e indireta, criou a ideia quase consensual de que não se tem notícias de um mandato presidencial iniciado com tantos problemas.

Recuos em muitas afirmações e em anúncios de decisões polêmicas, sem dúvida, marcaram esse período, indicando o desencontro de opiniões ou a falta de sintonia entre Bolsonaro e os demais integrantes do primeiro escalão do governo eleito no ano passado. Tônica essa que permanece, embora em menor escala, e é justificada pela existência de grupos heterogêneos no comando do governo federal, com forte presença de militares e de um superministro liberal na Economia, além da influência dos três filhos do presidente.

Também sobressaiu nesse primeiro mês de governo o envolvimento do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), um dos filhos do presidente, em denúncia que apura movimentações financeiras de Fabricio Queiroz – amigo e ex-funcionário de Flávio – consideradas "atípicas" pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

O tão esperado anúncio de um plano para a retomada do crescimento econômico, até agora não aconteceu por completo. Nem mesmo no Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), Bolsonaro deu detalhes do que pretende fazer para tirar o Brasil do baixo desempenho econômico. Ao contrário, foi quase monossilábico em um discurso que durou pouco menos de sete minutos. O ministro da Economia, Paulo Guedes, tampouco esmiuçou aos investidores internacionais o que terá para oferecer em troca dos cobiçados recursos para investimentos produtivos. Continua batendo na tecla da privatização e redução do tamanho do Estado.

Com o presidente se recuperando de cirurgia e despachando de hospital, o governo fecha seu primeiro mês começando a finalizar sua proposta mais esperada pelo mercado: a reforma da Previdência, considerada tábua de salvação. Mas ainda restam cinco meses da “lua de mel” do mercado com o Planalto.