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A produtividade brasileira no ano passado ficou praticamente estagnada, como mostrou um levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). Isso significa que – em meio a um cenário de lenta recuperação e, principalmente, de aumento no desemprego e crescimento do trabalho informal – a retomada econômica pode ficar ainda mais longe. Em 2017, o Brasil ensaiou uma alta, com ganho tímido de 1%. Mas isso não se sustentou ano passado e o País voltou a perder fôlego. Mesmo que os crescimentos do Produto Interno Bruto (PIB) em 2017 e 2018 tenham sido iguais, de 1,1%, a produtividade não acompanhou.

Hoje, o patamar de produtividade da economia por hora trabalhada está no nível de 2012 e 2,7% abaixo do pico alcançado no primeiro trimestre de 2014. Se considerada a produtividade da economia por trabalhador ocupado, a situação é mais crítica: 5% aquém do pico também alcançado no primeiro trimestre de 2014.

Para os especialistas a resposta disso está na precarização do emprego, com o fechamento de vagas com carteira assinada e o avanço no número de pessoas na informalidade. Isso porque o setor formal tem, em média, quatro vezes mais produtividade do que o informal, usa tecnologias mais avançadas, emprega trabalhadores de nível educacional mais elevado e tem mais acesso a crédito.

Hoje o Brasil tem até 40 milhões de trabalhadores atuando na informalidade, nível recorde da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, conforme o estudo da FGV. O levantamento mostra que o mau desempenho da produtividade foi puxado pelo setor de serviços, com queda de 0,6% por hora trabalhada, o quinto ano seguido de retração. Na agropecuária, a produtividade cresceu 1,1% em 2018, enquanto na indústria subiu 1,3%.

A baixa eficiência do País, no entanto, é hoje pior que a falta de investimentos e pode comprometer planos futuros, segundo especialistas. E a falta não é em capital físico (máquinas e equipamentos), mas sim no capital humano (educação) o que nos coloca diante de um grande desafio para os próximos anos.