Publicado em

"Globalmente, vemos uma ameaça maior de protecionismo, principalmente da China e dos Estados Unidos, e isso é muito preocupante", disse a comissária de Comércio da União Europeia, Cecilia Malmstrom, em entrevista coletiva. "Esta é, infelizmente, uma tendência global e não vemos um fim para isso no curto prazo", acrescentou, ontem.

Não dava para esperar nada diferente. O protecionismo em todo mundo atingiu um recorde no ano passado, devido a novas barreiras criadas para restringir o comércio na China e nos Estados Unidos, de acordo com um relatório da Comissão Europeia publicado ontem. O Relatório sobre Barreiras Comerciais e Investimentos da Comissão afirma que 23 países não pertencentes à União Europeia (UE) implantaram 45 novas barreiras comerciais em 2018, elevando o número total a um recorde de 425 medidas em 59 diferentes países.

A China e a Rússia tiveram as medidas comerciais mais "problemáticas", com 37 e 34 medidas, respectivamente, segundo o relatório. Ano passado, a maioria das barreiras foi erguida na China e na Argélia, com cinco cada. Estados Unidos e Índia vêm em seguida, ambos com quatro.

O maior impacto das medidas protecionistas adotadas foi sobre os setores de Tecnologia da Informação e metais preciosos e não preciosos. No geral, as novas barreiras implementadas no ano passado afetaram ou arriscaram afetar 51,4 bilhões de euros das exportações da União Europeia (UE). No entanto, o relatório constatou que 123 medidas externas foram eliminadas desde o início da atual Comissão em 2014, levando a 6,1 bilhões de euros em exportações extras da UE em 2018.

A continuar o atual ritmo, é de se prever que ao final de 2019, esse recorde será batido outra vez. E, provavelmente, continuar crescendo nos próximos anos, já que todos os sinais de vários continentes do planeta convergem para esse caminho.

Dentre as exceções, está o Brasil. O governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e do ministro da Economia, Paulo Guedes, quer um choque de abertura no comércio exterior.

No mínimo, um tema controverso.