Publicado em

Após a expulsão do deputado Alexandre Frota, na última terça-feira (13), o PSL anunciou que vai implantar uma espécie de “filtro” ideológico para definir quem serão seus candidatos nas próximas eleições e evitar, assim, que nomes considerados desalinhados ao governo Jair Bolsonaro representem a sigla. Frota ousou discordar da indicação do filho Eduardo, feita por Bolsonaro, e pagou um preço alto. Mas a medida cobrada pelo próprio presidente, que exige o “enquadramento” de parlamentares que discordem de ações da sua gestão, pode acabar aproximando o perfil do PSL ao do seu arqui-inimigo PT, tornando-se o que já foi sugerido até pela deputada Janaína Paschoal, o “PT da direita”, com uma patrulha que persegue os infiéis.

Internamente, a ação foi vista como um gesto de “purificação” do partido, que tenta se associar ainda mais à imagem do presidente da República. Além de “filtrar” novos filiado que não seguirem à risca as diretrizes do partido. Claro que ainda não está definido como e quem fará o pente-fino nos nomes que poderão concorrer pelo PSL, mas um grupo do partido defende a contratação de uma consultoria externa especializada em compliance. Já outro grupo quer a criação de uma espécie de conselho, formado por nomes da sigla. “A gente tem de saber quem está vindo para o partido. Se é ficha-limpa, qual o passado político. Se não, daqui a pouco, vamos ver um esquerdista querendo se lançar só porque o partido cresceu e virou viável”, afirmou a deputada federal Carla Zambelli . Antes de Bolsonaro se filiar, o partido era considerado nanico e elegeu apenas um deputado em 2014. Em 2018, foram 52. Além da defesa do bolsonarismo, o candidato terá de assumir a pauta conservadora nos costumes, ser a favor da reforma do Estado e condenar o aborto e a chamada “ideologia de gênero”. Os filiados passam também por uma investigação do seu passado político e pelas publicações feitas em redes sociais. “Não poderá ter ligação com a esquerda. Do PT, jamais”, afirmou o deputado Coronel Tadeu. Questionado sobre o apresentador José Luiz Datena, que já foi filiado ao PT, ele disse que a regra vai prever exceções.