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O número de homicídios registrados no País no primeiro bimestre de 2019 caiu 23%. É o que mostra um levantamento divulgado ontem pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Essa queda foi registrada nos nove tipos de crimes que compõem as estatísticas oficiais, na comparação com o mesmo período de 2018. De acordo com o ministério, no primeiro bimestre de 2018 foram registradas 8.498 homicídios dolosos, número que caiu para 6.543 em 2019. Já as tentativas de homicídios caíram 15,1% (6.431 ocorrências para 5.461). No caso do crime de estupro, a queda ficou em 7%, com 7.284 ocorrências neste primeiro bimestre, ante 7.834 casos registrados nos dois primeiros meses do ano passado. Com relação a furto e roubo de veículos, a redução foi de 10,9% (de 40.527 para 36.123 ocorrências), e de 28,3% (43.448 para 31,161 registros), respectivamente. Crimes de lesão corporal seguidos de morte caíram 6% (de 151 para 142 casos).

Por meio de nota, o ministro da Justiça, Sergio Moro, comemorou o resultado, alegando que os dados já se devem à atuação integrada feita com os governos locais. Segundo o ministro, os números podem ser ainda menores caso o pacote anti-crime apresentado pelo governo federal seja aprovado pelo Legislativo.

Por outro lado, o Atlas da Violência de 2019, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado no início de junho, mostrou que o número de pessoas assassinadas com armas de fogo cresceu 6,8% no País entre 2016 e 2017. Sinal de que o controle deveria ser intensificado, apesar do governo trabalhar para a liberação ainda maior da posse de armas no Brasil. Só no Rio, por exemplo, o crescimento de mortes por armas foi ainda maior: 9,8%. O aumento das mortes acompanha a tendência do número total de homicídios. Em 2017, 65.602 mil pessoas foram mortas no Brasil – um crescimento de 4,2% em relação ao levantamento anterior – sendo que 47.510 mil (72,4%) foram mortas por tiros. A discussão ainda deve aquecer muito os ânimos dos grupos que defendem e condenam. Vamos esperar.