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Nesta semana, um ano após o incêndio que consumiu o Museu Nacional e o diretor da instituição, Alexander Kellner, anunciou que, depois de um processo de restauração, o local deve ter algumas salas reabertas ao público em 2022, devendo estar completamente pronto em 2025. Ainda neste ano, deve começar a restauração da fachada e do telhado. Em setembro do ano que vem, a expectativa é que comece a recuperação do interior do palácio.

Os R$ 16 milhões liberados em caráter de emergência pelo governo federal após o incêndio já foram aplicados: aproximadamente R$ 1 milhão foram para a fachada; R$ 10 milhões seguiram para o reforço da estrutura interna do prédio e da cobertura, e os demais R$ 5 milhões estão destinados à Unesco, para a elaboração do projeto executivo do restauro. A doação mais substanciosa recebida pelo museu veio da Alemanha: um total de 230 mil euros (cerca de R$ 1 milhão). Outros R$ 350 mil vieram por meio de doações para o SOS Amigos do Museu. Todas foram todas aplicadas no garimpo e resgate das peças dos escombros, segundo Kellner.

Porém, o incêndio do dia 2 de setembro de 2018, após um curto-circuito num aparelho de ar condicionado, acabou gerando intensa discussão, sendo comparado a outro grande incêndio, o da Catedral de Notre Dame. Diferente do Brasil, o monumento francês recebeu uma enxurrada de doações para sua reconstrução. Por aqui, pouco se viu doações de empresas e milionários mecenas e não é porque o brasileiro não é generoso. É porque não havia regras definidas para isso. Faltavam garantias que assegurassem aos doadores que os recursos seriam efetivamente aplicados no museu.

Mas em janeiro deste ano o governo sancionou a lei dos chamados fundos patrimoniais filantrópicos (os endowments, em inglês), que tem tudo para ser um divisor de águas na forma como a sociedade lida com tragédias. Segundo cálculos do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis), cerca de R$ 5 bilhões podem ser captados através desses fundos nos próximos anos. Sendo assim, desastres como o da Quinta da Boa Vista podem ter um final um pouco melhor.