Publicado em

Depois da reforma da Previdência, a reforma tributária, que já dá os primeiros passos e, em seguida, a reforma administrativa na esfera federal. E, lá adiante, o novo marco regulatório do saneamento. É esta a agenda ambiciosa do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que vem sendo consagrado como o responsável pela aprovação na Casa, em dois turnos, das mudanças no sistema previdenciário.

 

Além de ter tomado a dianteira da reforma tributária, Maia também pegou as rédeas de uma reforma administrativa no âmbito do Legislativo. Ele vem cutucando o Palácio do Planalto a apresentar o próprio texto de reforma administrativa.

 

A iniciativa de mexer na estrutura dos cargos e salários dos Poderes da República – Executivo, Legislativo ou Judiciário – não é mera vocação reformista do presidente da Câmara e seus apoiadores. Diante da penúria dos cofres públicos, e da necessidade de apertar as regras de aposentadoria e pensões, além de cortar serviços públicos básicos à população, os deputados e senadores precisam dar algum sinal, por menor que seja – como deverá acontecer – de boa vontade perante o eleitorado. Afinal, daqui dois anos e meio haverá eleições novamente.

 

“Hoje temos uma estrutura em que carreiras do Legislativo têm um salário médio alto em relação à sociedade. As carreiras mais importantes da Câmara, num prazo muito curto, já estão no teto, o que desestimula a competição e eficiência, não há esse estímulo em nenhum dos três poderes hoje. A Câmara custa muito”, afirmou Maia, na sexta-feira, em evento para empresários na capital paulista.

 

O desencadeamento de um processo de revisão de carreiras e redução do salário inicial dos funcionários, além de fazer mudanças no processo legislativo, taxado como “confuso” por Maia, vai pressionar os demais Poderes (Judiciário e Executivo) a fazer o mesmo.

Como só boas intenções não bastam, o presidente da Câmara deve encontrar muita resistência para levar esse projeto adiante. Cortar privilégios, na própria casa, é sempre mais difícil.