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Mesmo após escândalos de vazamento de informações como o Swiss Leaks e o Panama Papers e das iniciativas de troca de informações entre governos, a riqueza global escondida no intrincado sistema de paraísos fiscais ainda é assombrosa. A última edição da revista Finanças e Desenvolvimento, do FMI, cita estudo recente que calcula em US$ 12 trilhões os recursos depositados por multinacionais em offshores. A riqueza pessoal administrada nessas ilhas de elisão e evasão fiscal alcança US$ 7 trilhões. Vários pesquisadores têm alertado sobre como essa prática ajuda a perpetuar a desigualdade de renda.

A manutenção desses recursos em instituições localizadas fora dos países de origem da riqueza não significa necessariamente uma prática ilegal, mas é inegável que oferece oportunidades aos que desejam ir além do planejamento tributário. Empresas e investidores podem tanto buscar um porto seguro contra políticas agressivas de controle de capitais em países com turbulência econômica, caso da Argentina, como espertalhões podem usar os mesmo caminhos para lavar dinheiro obtido com a corrupção.

Nos últimos anos, há uma tendência dos governos de criar programas de benefícios fiscais para trazer de volta boa parte dos recursos de empresas e indivíduos. O Brasil realizou uma anistia do crime de evasão fiscal e repatriou R$ 46,8 bilhões em 2016 e outros R$ 1,61 bilhão na primeira metade de 2017.

O governo Trump também aprovou um pacote fiscal e deve recuperar uma boa parcela da riqueza corporativa que repousa além da fronteira. O The Wall Street Journal estima que as 500 maiores companhias do país acumularam US$ 2,8 trilhões no exterior nas últimas décadas, um terço disso só das empresas de tecnologia. O governo americano estima que a repatriação desse dinheiro deve render até US$ 339 bilhões em impostos.

O problema é que não é todo o dinheiro que vai sair das sombras. Prova disso é que a cada vez mais transparente Suíça perdeu espaço para novos paraísos fiscais orientais, como Hong Kong, Cingapura e Macau.