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O Brasil continua sendo o país do futuro. Infelizmente, não no bom sentido, mas naquele que procrastina um destino melhor para os brasileiros. Entra ano, sai ano, as expectativas são sempre transferidas para o calendário seguinte. Com a queda da inflação, a promessa era entrarmos no clube das nações civilizadas, com nível de reajuste de preços baixíssimos e, o melhor, previsibilidade nas receitas e despesas públicas e privadas.

Pois bem, isso até aconteceu, mas o que é bom dura pouco, pelo menor por aqui. Domar o dragão da inflação alta não bastou para alçar o Brasil para um amanhã menos longe do bonde do século 21, onde a estrutura para o salto das inovações tecnológicas conta muito. Ainda continuamos desempenhando o papel de produtor de alimentos para matar a fome do mundo, mas sem uma estratégia industrial para agregar valor aos grãos, proteína animal e outros itens que fazem parte das nossas exportações. Também não valorizamos nosso vasto poder em biodiversidade na floresta amazônica, ao contrário, as políticas públicas não conseguem conter o avanço do desmatamento que leva árvores, flora, fauna, além dos valores imaterais contidos na região.

Quando houve o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), tudo ia avançar para melhor logo em seguida, o que não aconteceu. O mandato tampão do ex-presidente Michel Temer (MDB) apresentou pífio desempenho da economia. Mas em 2018 tivemos eleição presidencial e, então, a partir de primeiro de janeiro de 2019, o céu de brigadeiro voltaria a ficar azul para o Brasil.

Mais um conto-da-carochinha: a alta expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), que chegou a ser projetado em 3% pelos mais otimistas, já foi revisado para baixo – por volta de 1,3% no ano. E os mais informados sabem que dificilmente a atividade alcançará isso em 2019. Agora, o motivo de postergar os dias de bonança é a reforma da Previdência. Sem ela, nada de bom acontecerá no País. Mas, como sempre, em 2020, a economia deve crescer 2,7%, como prevê o governo na proposta da Lei de Diretrizes Orçamentárias do próximo ano. Vamos aguardar.