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A economia mundial está pisando violentamente no freio neste ano de 2019 e o resultado disso será um enorme “ajeita passageiro”, como se diz nos ônibus públicos. Com Donald Trump esbravejando de um lado e a China respondendo a altura do outro, tudo no meio fica complicado, uma vez que o duelo entre as duas maiores economias globais não deve deixar espaço para muitos avanços econômicos.

A situação ficou tão tensa nesta segunda-feira, com mercados despencando no mundo inteiro, que, ontem, o governo dos EUA resolveu abaixar a bola e adiou a aplicação de tarifas de 10% sobre alguns produtos chineses, incluindo laptops e celulares, que estavam previstas para entrar em vigor no próximo mês, segundo o gabinete do Comércio dos EUA. A ação foi publicada minutos após o ministro do Comércio da China ter dito que o vice-Premiê Liu He havia ligado para autoridades comerciais norte-americanas. Outros produtos cujas tarifas serão adiadas até 15 de dezembro incluem “computadores, consoles de videogames, certos brinquedos, monitores de computadores e alguns itens de vestuário e calçados”, disse a representação de Comércio em comunicado.

Para não dar o braço a torcer, Trump disse que a mudança foi feita para não “atrapalhar” importadores neste período de preparação dos estoques para o Natal.

Enquanto isso, na América Latina, Argentina protagonizou outro susto nos investidores, com as prévias eleitorais indicando a preferência pelo candidato da oposição.

No Brasil, a situação não está melhor. Apesar da reforma da Previdência ter sido aprovada na Câmara e tudo se encaminhar para o mesmo resultado no Senado, as trapalhadas capitaneadas por Jair Bolsonaro criam saias justas internacionais que podem resultar em redução de investimentos e até de importação por parte dos europeus. A discussão sobre meio-ambiente, enfrentamentos com a mídia e com cientistas a respeito de desmatamento vem deixando sequelas que não poderão ser recuperadas. Até o Banco Central já vê a possibilidade de efeitos da desaceleração global. O resultado de tanto enfrentamento e beligerância só saberemos mais para frente.