Publicado em

Com o Brasil fora da Copa desde a 6ª feira e com o calendário do futebol experimentando uma folga antes das semifinais do Mundial da Rússia, coube ao TRF-4 transformar a “Pátria de Chuteiras” na “Pátria das Togas” durante o final de semana. Atendendo a um pedido de habeas corpus feito pelo deputado petista Wadih Damous (RJ), o desembargador plantonista Rogério Favreto mandou a PF de Curitiba libertar o ex-presidente Lula, preso desde o dia 7 de abril. O que se viu depois esteve mais para uma pelada de várzea do que para uma disputa organizada com regras claras.

De férias na Europa, o juiz federal Sérgio Moro emitiu um despacho para que a PF não acatasse a ordem, alegando conflito de competências. Favreto reforçou então sua determinação, mas foi desautorizado tanto pelo relator da Lava-Jato no Tribunal, João Pedro Gebran Neto, como pelo presidente do TRF-4, Thompson Flores. Enquanto isso, políticos de todas as cores e magistrados de todas as instâncias opinavam obstinadamente nas redes sociais e em vários meios de comunicação.

A intenção do deputado Damous e do desembargador Favreto não pareceu ser a de conseguir a liberdade, ainda que provisória, do ex-presidente. O movimento foi político. Eles pretendiam renovar a narrativa de que os juízes da operação Lava-Jato têm lado e que usam de suas atribuições para interferir na vida política do país. E também quiseram ilustrar as divisões internas do Poder Judiciário, mesmo que para isso tivessem de desacreditar a instituição.

A estratégia não parece ter ajudado na defesa de Lula, mas de alguma maneira fortaleceu a ideia do PT de manter o ex-presidente como potencial candidato até setembro, quando o TSE dará a palavra final sobre sua provável inelegibilidade por conta da condenação em segunda instância judicial. Interessa aos planos do partido manter essa confusão muito mais que semântica entre o ex-presidente ser um “político preso” ou um “preso político”. Para tanto, colocar dúvidas sobre a imparcialidade e a impessoalidade dos juízes é uma jogada de efeito.