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Enquanto se recupera da cirurgia (para retirada de bolsa de colostomia) a que foi submetido anteontem (28), o presidente Jair Bolsonaro (PSL) deve começar hoje a despachar no gabinete montado no Hospital Albert Einstein, na capital paulista, onde permanecerá até a próxima semana.

Em meio aos desdobramentos da tragédia de Brumadinho, em Minas Gerais, decorrente do rompimento de barragem de rejeitos de minérios de ferro da Vale, Bolsonaro dedicará o tempo possível de quem se recupera de uma intervenção cirúrgica delicada, às últimas articulações visando o melhor resultado para o governo, da eleição das presidências da Câmara dos Deputados e do Senado Federal para 2019 e 2020.

O esforço do presidente convalescente se justifica. Está nas mãos do novo Congresso Nacional o futuro de boa parte das medidas que compõem o plano de governo de Bolsonaro, tanto na economia como nas áreas sociais e de costumes. Sem o apoio dos parlamentares que iniciam nesta sexta-feira (1) seus mandatos de quatro anos, o governo que mantém elevada expectativa positiva da população e dos mercados em geral, poderá ter a confiança desgastada.

Embora até aqui tenha conseguido preservar, pelo menos em boa parte, a promessa de campanha de não repetir o toma lá dá cá de seus antecessores no Palácio do Planalto em termos de relacionamento com o Legislativo, o presidente eleito em 2018 deve, aos poucos, mudar sua postura para solidificar sua base de apoio, ainda fragmentada e sem a folga necessária para aprovar temas polêmicos como as reformas da Previdência e tributária.

Sem distribuir cargos diretamente aos partidos – o governo preferiu como interlocutor as bancadas temáticas na formação do ministério –, Bolsonaro terá de conseguir um crédito político junto aos parlamentares para fazer avançar sua agenda de liberalização da economia. Em sua posse, o presidente da República já acenou com futuras possibilidades aos congressistas, ao dizer que pretende compartilhar progressivamente sua gestão com os deputados e senadores.