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A possibilidade de uma nova greve dos caminhoneiros, a exemplo da ocorrida em maio do ano passado, paralisando a economia do País por cerca de dez dias e causando enormes prejuízos em todos os aspectos da vida dos brasileiros e empresas, é um fantasma que ronda o Palácio do Planalto.

A ponto de o governo contradizer sua diretriz liberal e repetir o intervencionismo praticado pelas administrações do PT e combatido pelo então candidato e hoje presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL). O presidente pressionou a direção da Petrobras para desistir de aumentar em 5,7% o preço do diesel, na última quinta-feira (11). A atual política de reajuste de preços da Petrobras, a cada quinze dias, para cobrir a elevação da cotação no mercado externo, do combustível importado.

Por enquanto, a justificativa oficial, por parte do governo, foi dada por Bolsonaro, na sexta-feira (12), quando indagado sobre o episódio, que causou arrepios no mercado, com alta do dólar e queda na bolsa – somente em uma dia, a empresa perdeu R$ 29 bilhões no valor das ações. Após afirmar que não defende “práticas intervencionistas” nos preços, informou ter pedido à estatal uma justificativa baseada em números e que avisou não entender nada de economia.

O que o presidente da República e sua equipe ministerial não podem admitir, pelo menos em público, é a ameaça das lideranças dos caminhoneiros, que há algum tempo vêm avisando o governo sobre sua insatisfação com os resultados das negociações no final da paralisação do ano passado, principalmente o preço do diesel, que influencia diretamente o custo do frete.

Embora o movimento dos caminhoneiros , ano passado, tenha contado com a simpatia de Bolsonaro – quando na oposição e candidato –, ele e seus ministros sabem do grau de destruição que uma paralisação desse tipo pode causar na imagem de um governo, na economia – que anda muito aquém do esperado – e nas expectativas futuras.

Este foi apenas mais um sinal de que, inclusive na política e na arte de governar, na prática, a teoria é outra.