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Como o presidente Jair Bolsonaro (PSL) havia anunciado, ele e os presidentes da Câmara e do Supremo Tribunal Federal (STF), deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) e ministro Dias Toffoli, respectivamente, anunciaram, ontem, em Brasília, que farão um pacto. Proposto pelo chefe do Executivo, o acordo foi aceito pelos mandatários da Câmara e da Corte Suprema do País, que em outros momentos também flertaram com a proposição.

Até agora, pouco se sabe a que veio a novidade, a não ser que é um pacto de entendimento entre os poderes e será assinado "provavelmente" na semana do dia 10 de junho, conforme o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. Ele também participou de café da manhã com Bolsonaro, Maia, Toffoli, com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), os ministros da Economia, Paulo Guedes e do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno.

A reforma da Previdência deve encabeçar a lista de metas de interesse do País que estariam movendo o pacto entre os três Poderes da República. As demais devem ser detalhadas no documento que formalizará a aliança. E isso é tudo o que se sabe, até o momento. O documento teria sido escrito pelo STF.

Como já manifestaram alguns parlamentares, céticos com o efeito prático do acordo no que diz respeito a mudanças concretas na rotina do relacionamento abalado entre governo, Legislativo e Judiciário, essa é a pergunta que não quer calar: como o STF vai se comprometer com uma emenda constitucional se esta pode ser questionada, posteriormente, na Corte Suprema? E como o presidente da Câmara agirá como “Maia paz e amor” depois de ter sido chamado de “bandido” e “ladrão”, juntamente com o Centrão, nas manifestações do último domingo (26)?

Da forma como está sendo conduzido, esse pacto pode amenizar a falta de articulação política do governo, que após cinco meses no Planalto, se atrapalha para conversar com os colegas do outro lado da Praça dos Três Poderes, apanhando com a agenda das reformas, única plataforma de governo apresentada até agora. Dificilmente, o entendimento em andamento passará disso.