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Pelo andar da carruagem, a reforma da Previdência, panaceia para todos os males da economia do Brasil, corre o risco de ficar bastante “desidratada”, a ponto de necessitar, posteriormente à sua aprovação, uma boa dose de “soro” para continuar viva.

A dificuldade que perdura nos últimos dias antes da votação do relatório da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) na Comissão Especial da Câmara dos Deputados é a inclusão de estados e municípios nas mudanças que a reforma está fazendo no sistema previdenciário de trabalhadores privados e servidores públicos.

O governo federal diz que quer, mas deputados e senadores resistem à ideia para não pagar o ônus político das medidas amargas perante o eleitorado, na disputa para as prefeituras em 2020 e nas eleições para governos estaduais, assembleias legislativas e Congresso Nacional em 2022. Estão mais de olho nas urnas do que na situação do País.

Ficou na conta quase exclusiva dos governadores, a quem mais interessa que a reforma da Previdência abranja também os sistemas previdenciários de estados e municípios, batalhar por isso. E não há unanimidade entre eles. Ontem, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse hoje que, para incluir estados e municípios, é preciso que os governadores do Nordeste e de esquerda votem a favor, mesmo que isso gere desgaste com suas bases de apoio.

Apesar do apelo pessoal do presidente da República, o líder do governo na Câmara dos Deputados, Major Vitor Hugo (PSL-GO), afirmou que a tendência é estados e municípios ficarem fora do relatório da reforma da Previdência e que isso não seria considerado uma derrota para o governo.

Após exaustivas negociações nas últimas semanas entre governadores, Palácio do Planalto e congressistas, até o final da tarde de ontem as perspectivas eram negativas. Depois de mas reunião, governadores anunciaram que não houve acordo. Mas as conversações continuam e a inclusão pode ocorrer até o último momento, na votação no plenário da Câmara.

O fato é que ninguém quer pagar essa conta.