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A maior prova de que a reforma da Previdência não resolverá todos os males do Brasil e, portanto, não será suficiente para fazer o país retomar o crescimento econômico e o desenvolvimento, é que, no mesmo dia da aprovação das mudanças no sistema de aposentadorias e pensões, Câmara e Senado já aceleravam os passos para a próxima reforma, a tributária.

Embora esteja comemorando a vitória dos 379 votos por 131, no primeiro turno da reforma da Previdência, anteontem à noite, o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), sabe que as expectativas elevadíssimas em torno dos resultados da nova legislação não se sustentam. Tanto é que ele já deu a largada para a reforma tributária, disputando, agora, o protagonismo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que também se mexe, e com o governo.

Os mais céticos duvidam até que a reforma da Previdência consiga gerar a economia tão propagada pelo governo e os defensores da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que tramita no Congresso, estimada em cerca de R$ 1 trilhão em dez anos. Muito menos que alavançará trilhões de investimentos no Brasil.

Mas, se não será o remédio para todos os males do País neste momento, muito pior seria a não aprovação da reforma da Previdência, como afirmam os analistas econômicos. Para alguns, isso seria uma verdadeira catástrofe.

De efeito concentrado nas finanças públicas, mas irradiados para toda economia por causa do potencial capaz de gerar nas expectativas dos investidores, a reforma da Previdência deve ser aprovada com uma certa rapidez também no Senado.

Mas tudo indica que a reforma tributária exigirá um debate muito mais amplo e demorado, já que envolve muitos interesses e de atores mais poderosos do que os cidadãos que pagam o INSS para tentar ter uma aposentadoria num futuro – cada vez mais distante depois das mudanças em curso.

Governos federal, estaduais, municipais, setores da economia vão se engalfinhar em torno da nova reforma colocada em pauta.