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A baixa produtividade da economia brasileira nos últimos anos, aliada aos entraves à competitividade da indústria, vem contribuindo para o retrocesso do setor, tanto na estrutura produtiva do Brasil quanto no sistema industrial global. A conclusão é do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), ao abordar a questão das deficiências da manufatura no nosso País.

De acordo com a entidade, são várias as causas da má evolução da produtividade, que é o resultado de um processo complexo de interações econômicas e sociais. Dentre esses fatores, estão a baixa qualidade da educação, a parcial e incompleta integração internacional da economia brasileira, o nível de investimento doméstico muito aquém do recomendável e a pequena exposição à concorrência em algumas atividades.

Mas existem outras causas, enfatiza o IEDI. Setores com maior crescimento de produtividade nos anos recentes perderam participação em nosso sistema industrial. Este é o caso da indústria intensiva em engenharia e Pesquisa e Desenvolvimento, cuja produtividade em 2010-2015 avançou 5% ao ano, versus 0,7% ao ano da manufatura em geral. Isso porque o Brasil se descuidou de criar condições necessárias para que as atividades industriais mais complexas e de maior conteúdo tecnológico pudessem prosperar.

Se não bastassem os motivos já citados, o IEDI constatou que a forte heterogeneidade entre as empresas também joga contra. “Em um mesmo setor, convivem no Brasil empresas de excelência e empresas de baixíssima produtividade. Neste sentido, os mais prejudicados são geralmente empresas de menor porte, cujo acesso ao crédito, a consultorias técnicas e a mão de obra mais qualificada é muito restrito. Muitas vezes, também operam em mercados isolados por nossa infraestrutura insuficiente e deficiente”, diz recente documento do Instituto.

Não por acaso, 2019 será mais um ano de mau desempenho da indústria brasileira. E num cenário de desaceleração da economia global, sem a falar a doméstica, e de forte acirramento da concorrência mundial.