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Dentre as medidas prometidas pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e ainda não anunciadas, estão as que pretendem combater a burocracia nos negócios no Brasil.

Esta é uma antiga demanda dos empresários e uma necessidade para melhorar a gestão dos recursos públicos.

Ontem, por exemplo, o novo presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Carlos Moraes, destacou, ao tomar posse no cargo, que 1,2% do faturamento do setor hoje é destinado às despesas com burocracia. "Eu preferiria que estes recursos estivessem sendo direcionados à pesquisa", comentou Moraes.

O executivo disse acreditar que há grandes chances de esta situação ser revertida gradualmente e afirmou ter encontrado as portas abertas no atual governo para debater esta questão.

Embora tenha anunciado semanas atrás um “revogaço” de decretos e outros atos governamentais com o objetivo de amenizar procedimentos e o tempo necessários na relação entre empresas privadas e os poderes públicos, o governo ainda está devendo uma ação mais abrangentes e efetiva neste sentido.

Prometer é fácil, cumprir não é tão fácil. Ainda mais quando se trata de alterar as estruturas públicas. Uma das áreas que concentram as maiores queixas do meio empresarial em relação ao excesso de burocracia no Brasil é a tributária. Cumprir as chamadas obrigações acessórias que uma empresa tem, com o recolhimento de tributos, ficando em dia com os chamados Fiscos – federal, estadual e municipal – não é tarefa fácil. Demanda despesas adicionais com a contratação de recursos humanos e outros na rotina da administração.

A pior face da burocracia, no entanto, é a que cria um ambiente favorável à corrupção. Como diz o velho ditado, há quem crie dificuldades para vender facilidades. E exemplos desses desvios na conduta de servidores públicos não faltam na história brasileira.

Ao contrário do que parece, reduzir a burocracia não demanda grandes reformas, mas requer mudança profunda de cultura.